Luiz Dórea, treinador de Boxe e MMA

por Thiego Souza (twitter: @thiegosouzza) em 15 de Novembro de 2011 00:00

Em entrevista concedida à equipe do Galáticos Online e do Bocão News, o treinador Luiz Dórea comenta sobre a emoção de formar mais um campeão, Júnior Cigano, além disso afirma que o MMA é o segundo esporte mais popular do Brasil, enaltece Anderson Silva e torce para que a Bahia receba torneios de UFC.

- Quais os motivos que levaram Júnior Cigano a ter que fazer uma cirurgia no joelho?
Bom, todo treinamento foi feito aqui na Bahia, tudo ocorrendo muito bem e foi uma fatalidade mesmo. Quando íamos começar um treinamento de Jiu-Jitsu ele teve uma torção no joelho, mas é uma cirurgia rápida. Porém nos preocupou porque a lesão foi dez dias antes da luta e como o Cigano é especialista em boxe e o boxe necessita muito das pernas, machucou o joelho, mas ai entra a garra, a determinação, a superação do homem e o Cigano é um campeão dentro e fora do octógono.

- Então Júnior Cigano lutou machucado contra Velasquez?
Lutou com uma lesão, mas nada que impossibilitasse ele de lutar, mas realmente era uma lesão. Ele não entrou 100%, mas posso dizer que ele lutou 90%.
 


- O que representa para a Bahia e para o Brasil o título mundial de Cigano no UFC?
Mostra a força do esporte baiano, brasileiro, a força do nosso MMA, do nosso Boxe e saber o seguinte, nós competimos com os Estados Unidos, aquela estrutura que eles tem lá, patrocínio e nós não temos nada disso aqui e consegue bom material humano. Então digo que tenho muito orgulho de ser baiano, todos os meus títulos e minhas conquistas foram aqui na academia Champion e conseguimos com todas as dificuldades alcançar os resultados.

- Quais atletas você já treinou e que fizeram sucesso?
Daqui já saiu o Popó, o Everton Lopes, Pedro Lima, Kelson Pinto, Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro e agora o Júnior Cigano. Eu sou um privilegiado de fazer parte e em poder ajudar o esporte do meu estado.

- Você já recebeu propostas para sair da Bahia e treinar atletas em outros estados ou até e outro país?
Sim! Já neguei vários convites pois sabia que aqui eu tinha um projeto de vida. Tenho a associação aqui do lado de minha casa, que é a Associação Champion de Boxe, dou aula há vinte e dois anos e nunca cobrei nada porque meu intuito e projeto é formar cidadão e graças a Deus, cada dia que passa, estamos conseguindo mais êxitos.

- Para quem é leigo no assunto, o que é MMA?
MMA é uma mistura de artes marciais. Para mim um atleta de MMA é um super-atleta porque ele tem que saber usar o boxe, o Jiu Jitsu, o May Thai. Existem rounds de cinco minutos, com descanso. E pode chutar, derrubar, usar cotovelada, o chão e a finalização, mas não pode bater na nuca, não pode ter golpe baixo, bater nas costas, dedo no olho. Hoje no Brasil o MMA é o segundo esporte mais praticado, perdendo apenas para o futebol. No mundo é uma febre e hoje o MMA é um dos melhores do mundo.


- Depois de sábado, quando a luta de Júnior Cigano foi transmitida internacionalmente e em rede aberta, o esporte irá se popularizar mais ainda?
Claro! A força da tv aberta é muito grande. Hoje no mundo já uma febre mundial. Já foi reconhecido fora e agora está sendo reconhecido no Brasil. Os atletas brasileiros já são conhecidos no mundo todo e agora estão ganhando espaço e visibilidade no Brasil.

- Boxe e MMA. Quantos anos de treino e qual a sequência de lutadores que treinou?
Trabalho com o boxe há 32 anos, com o MMA há nove anos e só em saber que posso ajudar o MMA fico feliz. Meu primeiro aluno foi o Minotauro, depois o Rogério Minotouro, depois Anderson Silva. Estou adaptando o boxe ao MMA e já vimos o resultado com o Cigano, que é campeão do mundo.

- Antes falavam que quem praticava “Vale Tudo” era louco. Hoje pode se dizer que virou esporte?
O pride, o MMA, nunca foi esporte de louco, pelo contrário, sempre teve regras e regulamentos. É um esporte que empolga muito, é muito emocionante.

- Quais as dicas que você dá para aquela pessoa que deseja praticar o MMA?
A primeira procurar professores especializados. Os brasileiros , na sua maioria, já tem uma especialidade, uns começam no Jiu Jitsu, outros no Boxe, então eles acabam tendo que aprender todas as modalidades.

- Depois do título mundial no UFC, qual o seu grande sonho com relação ao Júnior Cigano?
Ele tem vontade de participar de Olimpíadas para poder buscar medalha e também é uma vontade minha. Em 2010 ele iria representar a Bahia como líder da equipe, mas na época teve uma viagem, mas é um sonho nosso. Agora é trabalhar muito para manter esse título mundial.

- O Anderson Silva está próximo de se aposentar. Você apoia ou acha que está cedo?
O Anderson é um talento, é um cara fora do normal, é um exemplo, é um cara que vai ser campeão ainda por muito tempo. Eu sou treinador dele, mas lógico que quando ele quiser parar, ai tudo bem, mas espero que ele passe mais tempo para dar mais alegria ao Brasil, mas quando ele quiser parar, toda a comissão técnica irá apoiar.

- Existe algum tipo de conversa para o MMA se tornar esporte Olímpico, assim como é o Boxe?
Eles tem esse pensamento, mas não sei direito porque o esporte já começou profissional.

- Você treinou, projetou, criou e fez um novo campeão, Júnior Cigano. O lutador pode ser considerado seu filho no MMA?
Eu tenho ele como filho, independente. Ele me vê como pai, tem uma reciproca verdadeira, tem uma segurança, um carinho.

- A vitória de Júnior Cigano pode ser comparada à de 99 por Popó?
Sem dúvida, foram duas grandes emoções. Eu sou um privilegiado. Se você perguntar quais foram os momentos mais emocionantes de sua carreira posso te dizer vários.

Uma foi quando me tornei campeão mundial juniores em 26/02/1988, quando eu tinha um musculo rompido e na época lutei graças ao Dr. Otto Alencar. Depois tive emoção como treinador com Popó em 09 de agosto de 99 sendo campeão do mundo, depois com o Pedro Lima, sendo campeão dos Jogos Pan-Americanos. Em seguida tive uma emoção com Minotauro, quando ele foi campeão interino e agora com o Júnior Cigano, sendo campeão do mundo.

- A popularização do MMA pode levar ao declínio do boxe?
Não, são duas modalidades diferentes. O boxe está muito bem. As dificuldades há no boxe profissional, mas no Olímpico temos campeão na Bahia, atletas classificados para as Olímpiadas.

- Falou-se em um confronto entre Cigano x Minotauro. Você confirma ou não há possibilidade?
Não, nunca, não existe! Primeiro que além de ser amigos, irmãos, o Rodrigo é mestre de Cigano, foi um dos incentivadores e não tem dinheiro do mundo que faça acontecer isso. É conversa que nem cabe e as pessoas do evento já sabem.

- O que você tem a falar sobre a luta do Minotauro no UFC Rio, que venceu depois de uma cirurgia?
Aí, você lembrou outro ponto de emoção! Há cinco meses o Rodrigo estava andando de muleta, ninguém sabia se ele ia lutar, foi se recuperando e no final ganhou. O oponente achando que ia nocautear e o Rodrigo ganhou. O Rodrigo é uma lenda!

- Como estão os seus atletas hoje? Qual a situação de cada um?
O Cigano lutou agora, o Rodrigo e o Rogério vão lutar no dia 10 de dezembro, Anderson Siva está se recuperando de uma lesão no ombro e o Demian Maia que eu não sei ainda, mas acho que ele pode lutar no UFC Rio. O Lyoto Machida estou indo treinar porque ele vai lutar no próximo UFC.

- Existe alguma possibilidade de um evento do MMA acontecer na Bahia?
Claro! Eu sei que o vice-governador adora o esporte, já fez Capoeira. O governador Jaques Wagner, quando vencemos com o Pedro Lima, ele disse que iria apoiar o esporte. A Bahia é o coração do boxe no Brasil e agora do MMA também.


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