Bahia: "um técnico limitado, presidente perdido"

por Paulo Roberto Sampaio em 05 de Outubro de 2015 12:53

No final de junho, com o Campeonato Brasileiro se arrastando ainda na metade da primeira fase, o astrólogo Carlinhos Vidente, o mesmo que previu a goleada da Alemanha sobre o Brasil na Copa e a contusão de Neymar, disparou, aqui em Salvador, que o Vitória subiria e o Bahia continuaria onde estava. Nem precisava ser um vidente para concluir que o Bahia iria penar e seu destino parecia selado: ser apenas um figurante ilustre na Série B.

O time do início da temporada tinha um técnico ousado, mas quase que paspalhão. Digamos, limitado. Sabia montar a equipe como um bando de loucos perseguindo o gol, que invariavelmente vinha no primeiro tempo, para entregar o jogo na fase final, quando as pernas não reagiam e as deficiências técnicas da equipe se evidenciavam. Na cadeira de presidente, o Sr. Marcelo Sant'ana parecia um menino que ganhou um brinquedo novo. Deliciava-se brincando em ser presidente de uma Nação, tão grande e apaixonante, sem assumir de verdade as responsabilidades do cargo. Aceitava o técnico errar e nada fazia. Assistia o diretor de futebol errar e nada fazia. Parecia e, cada vez mais, parece perdido.

Assim, enquanto o Vitória foi se estruturando, convocou até o experiente Raimundo Viana para assumir a cadeira de presidente e contratou reforços de verdade, a começar por um técnico que tem visão de jogo, sabe armar e mexer no time de acordo com cada adversário, com cada duelo, o Bahia insistia no limitado Sérgio Soares.

E mais que isso, perdeu seu homem de referência na zaga, o zagueiro Titi, liberado infantilmente pelo presidente que imaginava achar numa prateleira de supermercado outro igual, ou melhor.

Mas isso não é tudo. Junto a ele colocou um gestor de futebol que ao menos no Bahia parece entender de tudo, menos do esporte bretão. Seu nome: Alexandre Faria.

E enquanto seu time afundava, o presidente, talvez, consciente de que era o responsável maior pelo fiasco que se avizinha, mantinha, por teimosia ou arrogância mesmo, seu treinador e com ele o bizarro diretor de futebol, mestre em descobrir onde havia um perna de pau dos bons para trazer como reforço. Pobre Bahia!

Agora, que bate o desespero, que resta à sofrida torcida tricolor rezar e rezar, confiar numa reação que até aqui o time não mostrou na competição, eis que surge o presidente em mais uma bravata a querer culpar o árbitro pelo fiasco no BaVi, sentando-se ao lado do técnico para lhe dar todo apoio.

É o que lhe resta, na verdade. Um abraço de náufragos, que queira Deus, não seja de afogados. A nação tricolor não merece. Até porque, pode estar mais difícil subir para a série A, mas nada está perdido. Uma vitória sobre o Paysandu pode mudar esse quadro. De resto, recorrendo à história, nunca é demais lembrar que para Deus e o Bahia, nada é impossível.

Artigo do jornalista Paulo Roberto Sampaio, publicado na Tribuna da Bahia

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