Aroldo Moreira faz balanço de 2017, projeta novo ano e fala sobre possíveis revelações do Bahia

por Rafael Machaddo (@RafaelMachaddo6) em 02 de Janeiro de 2018 00:00

Nesta quarta-feira (03) a equipe Sub-20 do Bahia estreia na Copa São Paulo de Futebol Junior. Após um ano onde houve muitas cobranças por resultados, pode-se dizer que os garotos do Esquadrãozinho chegam querendo mostrar serviço nessa competição que é o centro das atenções no início do calendário do futebol brasileiro.

Com o objetivo de fazer um balanço sobre o ano de 2017 e projetar a temporada de 2018, o Galáticos Online bateu um papo com o treinador da equipe Sub-20 do tricolor, Aroldo Moreira. O comandante falou sobre as principais as dificuldades e as críticas sofridas nesta temporada, a revelação de talentos e também falou sobre atletas da base que podem figurar nos profissionais nessa temporada.

Aroldo, como você avalia a temporada de 2017 da equipe Sub-20 do Bahia?

RESP: “A expectativa era a melhor possível, por conta do que aconteceu em 2016, que foi o melhor ano da nossa base, onde a gente foi campeão de tudo no sub-20. Só que aí nós perdemos alguns atletas e a reposição não foi do mesmo nível dos atletas que nós perdemos pro profissional e daqueles que estouraram idade e não foram aproveitados. Então a expectativa era que nas competições nós chegássemos em posições melhores. De toda forma, se você for olhar o sub-20, com toda dificuldade que a base do Bahia teve, nós conseguimos ficar entre os oito melhores na Copa do Brasil, oito melhores agora na Copa Ipiranga e chegamos na final da Copa do Nordeste. E ainda conseguimos colocar um jogador 97, um jovem de 20 anos, o Juninho Capixaba, em condição de titular da equipe profissional e com a possibilidade de até de ir para outro clube. Eu penso que Divisão de Base é formação, é botar jogadores no profissional e de repente negociar porque Divisão de Base tem um preço”.

A falta de títulos, sobretudo na equipe Sub-20, foi alvo de algumas críticas nesse ano. Contudo, sabe-se que o principal objetivo da base é revelar jogadores. Como você avalia isso?

RESP: “O importante para mim é justamente colocar jogadores no profissional. Tenho quatro anos e meio no Bahia e aí o Bahia já vendeu um jogador por ano se você fizer essa média. Vendeu o Bruno Paulista, o Pará, o Matheus (atacante da base) que estava no Japão, o Jean e agora pode vender o Juninho para o Corinthians. Enfim, eu tenho logicamente minha metodologia de trabalho. É claro que o torcedor, a direção, a imprensa, querem sempre títulos, mas às vezes você ganha título na base e não revela ninguém. O ideal é fazer uma mescla disso. Tentar revelar e tentar conquistar títulos também. Mas você há de convir que o investimento que o Bahia faz, o Bahia, por exemplo, não compra nenhum jogador na base. Eu tenho 4 anos e meio no sub-20 e lá nós não compramos. Não pagamos R$ 20 mil, R$ 30 mil por nenhum jogador. Um exemplo é o Shaylon, no São Paulo, que foi comprado por R$ 500 mil da Chapecoense, o David, no Vitória, foi comprado por R$ 300 mil... Mas tá tranquilo. Estou satisfeito com o trabalho e a gente espera nesse ano de 2018 ser diferente. Quem sabe conquistar o Baiano, o Nordeste e beliscar alguma coisa numa competição nacional”.

Você acha que as críticas aos resultados as vezes podem esconder todo o trabalho de revelação?

RESP: “Eu sou um cara inquieto, eu não sou apenas o treinador, eu trabalho para o clube por inteiro. Por exemplo, o Rodrigo Becão foi um jogador que chegou pelas minhas mãos, ao Bahia. Luciano Baiano, que jogou no Bahia, no Flamengo, me ligou e eu abri as portas para ele. Hoje o Rodrigo é uma realidade e num futuro próximo, ganhando experiência, ele vai jogar no Bahia. Juninho Capixaba hoje é titular, barrou Armero, e chegou no Bahia por minhas mãos, o empresário me ligou perguntando se tinha interesse no jogador. Ele era meia-esquerda, mas não entrava muito na área, não fazia gol, então eu coloquei de lateral-esquerdo, ele também comprou a ideia e hoje está aí. Então eu vejo que a base não basta só treinar o time, tem que se preocupar com quem você vai revelar”.

E para a temporada de 2018? Quais são as expectativas e os objetivos traçados para a equipe Sub-20?

RESP: “Sobre 2018 nós vamos para a Copinha, agora. São muitas competições, uma atrás da outra, num período curto tivemos a Copa do Nordeste jogando um dia sim um dia não, tivemos um período apenas de recesso de 3 dias para começarmos o trabalho para a Copa São Paulo. É um time novo, mas a gente espera fazer, logicamente, uma competição boa, do nível que o sub-20 sempre vem fazendo. Porque o sub-20 não participa de competição, ele sempre disputa. Haja vista o cartel que nós temos à frente do Bahia. São quatro vezes entre os quatro melhores do Brasil, duas finais nacionais, uma final da Copa Rio e uma final da Copa do Brasil, enfim, a gente espera fazer uma competição boa mesmo sabendo que a Copa São Paulo é uma competição difícil. É uma competição que você joga de dois em dois dias, com os maiores clubes do país, tem muitos clubes de empresários, também, mas isso faz parte da formação”.

O torcedor sempre cria bastante expectativa para ver jogadores da base desempenhando um bom futebol no time profissional. Quais atletas você acredita que podem aparecer no time principal e apresentar uma boa performance?

RESP: “Quanto a esse ano, o Felipinho é um jogador diferente. Eu briguei muito para que ele renova-se seu contrato, agora foi nosso artilheiro da Copa do Nordeste, e foi artilheiro também na Copa Ipiranga RS. Nós temos também o volante Luís Fernando, jogador de muita qualidade técnica; Geovane Itinga, artilheiro, o cara que é artilheiro da Copa Rio e da Copa São Paulo não é qualquer jogador, você tem que ter cuidado com esse jogador para não perder. Nós temos o Jaques que é um bom zagueiro, jogador de boa qualidade; temos também o Cristiano é um jogador que a gente está tentando recuperar, que teve em destaque no sub-15, jogador de muito potencial, finaliza muito bem, tô tentando trazer ele para uma posição dentro da área, para que ele não sair de perto do gol.  Enfim, eu acho que nós estamos no caminho. É ter tranquilidade. Eu penso que o Bellintani vai dar uma atenção à base e a gente vai ter uma base forte num futuro próximo aí para colocar jogadores no profissional. Minha maior alegria, meu maior salário é quando eu vejo um atleta que foi do sub-20 jogar no profissional. Isso para mim vale mais do que qualquer conquista, qualquer título baiano. Apesar de que eu sei que treinador sobrevive muito dos títulos, mas eu trabalho na formação do cidadão e do atleta como um todo, e se eu puder contribuir na formação deles para mim também tá bacana”.

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia


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