Ednaldo Rodrigues, presidente da FBF

por em 20 de Abril de 2010 00:00

Ednaldo, qual a sua avaliação sobre o desempenho da arbitragem baiana nos últimos anos?

Olha, a arbitragem não está sendo um problema só da Bahia. Quase todos os estaduais estão passando pela mesma situação. No futebol mundial também. O nosso esporte evoluiu muito e os árbitros são seres humanos. Os lances são muito rápidos e realmente é difícil tomar uma decisão em uma fração de segundo, apesar dos investimentos da FBF, CBF e Fifa.

Quais são esses investimentos e quanto custam para a FBF?

Veja bem, não são números precisos. Temos os investimentos de pré-temporada. E é bom que se fale em investimento, não em custo. Os árbitros da FBF ficam quatro dias confinados, aprimorando a técnica e a parte física. Mas ao longo do ano sempre há imprevistos. Por exemplo, mandamos os árbitros que não passaram no Fifa Test, que foi realizado aqui em Salvador, para a avaliação de Pernambuco. Lá eles passaram.

Então, qual a solução?

A profissionalização do quadro de arbitragem. Os árbitros não são profissionais. Eles têm outras atividades. Isso gera um conflito de conhecimento que atrapalha dentro de campo. A tecnologia também tem que ajudar. Não estou dizendo que os problemas vão acabar se tivermos árbitros profissionais e tecnologia ajudando. Mas eles serão bem menores.

Para você, quando a profissionalização e a tecnologia devem vingar no futebol?

Talvez até demore ainda, mas tenho certeza de que esses dois fatores serão implantados. Porque hoje o futebol é um negócio. Os clubes são empresas e querem lucrar. Um erro de arbitragem pode trazer muitos prejuízos. Veja o caso da Irlanda contra a França (A Irlanda foi eliminada da Copa da África com a ajuda da mão do atacante frânces Henry). Imagine o prejuízo moral e financeiro para aquele país por não disputar uma Copa? Então a Fifa vai precisar ter sensibilidade nesse assunto.

Você acha então que a Fifa precisa ser mais enérgica?

Como eu já falei, a arbitragem não é da Bahia. Ela é universal. As regras são as mesmas para qualquer lugar do mundo.

E as críticas de que certo árbitro favorece determinado clube?

Isso não existe. Bahia e Vitória foram prejudicados e "ajudados" no Baiano deste ano, assim como o mesmo aconteceu com clubes do interior. Os árbitros não são pré-destinados a errar a favor ou contra ninguém.

E o que você tem a dizer sobre a atuação do TJD-BA em cima disso? Parece que só Arílson (árbitro do polêmico BaVi do dia 28 de fevereiro) foi afastado.

O TJD-BA é um órgão independente, com auditores independentes. Funciona no mesmo prédio, mas não tem ligação com a FBF. Muitas decisões que o Tribunal toma não são divulgadas, por exemplo. Às vezes o órgão entra em contato com o árbitro e faz observações onde ele está errando, o motivo da queixa, no que ele precisa melhorar. Essas coisas não são divulgadas.

Quanto um árbitro da FBF ganha por partida?

Varia. Depende da fase. A final deste ano, por exemplo, vai pagar R$ 2 mil ao árbitro central e R$ 1 mil aos assistentes. A semifinal pagou R$ 1,2 mil aos árbitro centrais. O valor pago para os jogos da fase de classificação foi de R$ 800.

E quantos árbitros tem o quadro da FBF?

Temos 22 árbitros somente no quadro nacional (CBF). Mas, ao todo, temos cerca de 70 árbitros lotados na FBF.

Já que você falou na final do Baiano, o que você acha dela ser comandada por um árbitro de fora?

Olha, isso quem resolve é a comissão de arbitragem da FBF. Eles vão se reunir hoje à noite (terça-feira, dia 20 de abril) para decidir quem vai apitar as finais do Baiano.


Por Rafael Sena


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