Opinião - A construção do rebaixamento do Vitória em oito atos

por Rafael Machaddo -Insta @RafaelMachaddoGS em 26 de Novembro de 2018 14:12

No último domingo (25), os empates pelo placar de 0 a 0, entre Vitória e Grêmio, em Salvador, e Corinthians e Chapecoense, em São Paulo, sacramentaram o rebaixamento do Vitória para a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas engana-se quem pensa que essa queda aconteceu exclusivamente após essas partidas, ela apenas foi consumada nesta data, mas já vem sendo construída a há muito tempo.

Diante dessa crônica de uma morte anunciada que foi todo o ano de 2018 para o torcedor do Leão, é possível listar alguns dos principais pontos da temporada, que levaram ao quarto descenso do Leão na era dos pontos corridos. E é isso que esse texto fará, ao citar alguns “atos” que fizeram o centenário Esporte Clube Vitória a mais um ano desastroso.

1 – Herança maldita: A gestão de 2018 já começou herdando uma série de irresponsabilidades da passada, de Ivã de Almeida, que já havia batido na trave para cair, mas deixou a parte financeira bastante comprometida. Também houve erro dos atuais gestores que demoraram para externar essa situação, e quando fizeram, foi de forma desastrosa, como no episódio do: “Se eu fosse jogador, pensaria duas vezes antes de vir pro Vitória”.

2 – Promessas: O presidente Ricardo David foi eleito após um belo discurso no período de campanha, contudo, parece que ficou apenas nisso. Propostas como patrocínio já engatilhado; captação de talentos na África; valorização do basquete do clube; reforma do Barradão; internacionalização da marca; etc; ficaram apenas no discurso, isso para não falar de questões mais subjetivas como “gestão profissional”.

3 – Planejamento: O Leão iniciou a temporada tendo um profissional com pouca (ou quase nenhuma) experiência no futebol profissional, o diretor Erasmo Damiani, o que se mostrou muito danoso e culminou na demissão do mesmo. Além disso, a política (?) de contratações adotadas deixou muito a desejar, com atletas que vinham de recentes performances abaixo da crítica, como P. Botelho, Walisson Maia, Baumjhoann, etc...

4 – Gestão de crises: O principal episódio para evidenciar a falta de habilidade da gestão Ricardo David em gerir crises foi o BaVi do dia 18 de fevereiro. Além de preencher uma das páginas mais vergonhosas da história de um clube centenário, a diretoria se mostrou altamente conivente com o acontecido, criando um clima de “nós contra todos” e relativizando ações absurdas, como um atleta posando como pugilista, em clara referência aos episódios violentos do clássico.

5 – Correção de curso: Após um início desastroso de ano, a pausa para a Copa do Mundo foi mais uma oportunidade para que fossem cometidos erros. Foram contratados atletas com o discurso de que “visavam uma Sul-Americana em 2019”, enquanto o clube necessitava de retorno técnico imediato. Além disso, mais uma vez, foram contratados atletas com qualidade questionável e com contratos a longo prazo, já comprometendo os anos seguintes.

6 – Correção de curso 2: Depois de todo o período do Mundial com Vagner Mancini podendo trabalhar o time, foram necessários quatro jogos para a direção “mudar de ideia” e achar que ele devia sair. A contratação de Carpegiani, apesar de parecer o mais certo no momento, também evidenciou a falta de cuidado até mesmo em entender se o elenco montado para Mancini, bastante vertical, daria liga com um técnico que valoriza mais a posse de bola. O tempo e as incessantes tentativas de mudança de Carpê provaram que não.

7 – Processo de fritura: Foram incontáveis as vezes em que um atleta rubro-negro cometeu uma falha e logo depois, passou a ser, até que inconscientemente, “culpado” por um insucesso. Caíque, Elias, Ronaldo, Ramon, são alguns exemplos de atletas sacados após cometerem erros, o que mostra uma falta de cuidado com alguns dos patrimônios do clube, e até mesmo, falta de suporte em momentos de dificuldade. Contudo, é importante salientar que muitos desses atletas são também vítimas de uma gestão ruim e um time fraco tecnicamente.

8 – Falta de Humildade: Esse tópico é para citar algo que, talvez até inconscientemente, o presidente Ricardo David sempre deixou transparecer. A cada entrevista pós momento de crise, ao invés de uma autocrítica, o mandatário rubro-negro transparecia uma certa soberba, em alguns momentos buscando outros culpados para seus erros, ou até uma permissividade, como nos episódios pós “BaVi da Vergonha” e da expulsão de Rhayner onde disse que era a palavra do atleta contra a do árbitro.

Esses oito tópicos podem até não ser suficientes para enumerar os diversos erros cometidos pela gestão Ricardo David em 2018. Porém, que sirvam de lição, para que o presidente tenha a hombridade de reconhecer seus equívocos, crescer com os mesmos, e corrigi-los com um trabalho mais digno daquilo que uma instituição centenária como o Esporte Clube Vitória merece.


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