Hora de ter paciência

por Tarso Duarte (@tarsoduarte) em 03 de Fevereiro de 2016 12:03

Em termos de elenco e reforços, a temporada não começou exatamente como esperava a torcida do Vitória. As perdas de Escudero e Rhayner marcaram o período em que o elenco rubro-negro era montado, e nos dois primeiros jogos da temporada (contando com o amistoso contra o Tianjin Quanjian), o rubro-negro mostrou no mínimo duas deficiências que deixaram preocupada parte da torcida do Leão, até por que 2016 é ano de Série A.
 
A primeira preocupação ainda é baseada na temporada passada. Diogo Mateus foi um dos destaques do time que explorou bem as laterais em 2015. Assim como Diego Renan, o ala direito do acesso participou de gols importantes, que resultaram em pontos fiundamentais e se destacou até em clássico.
 
Caiu nas graças da torcida. Mostrou algumas deficiências defensivas, mas levou perigo e foi decisivo no ataque e acabou sendo aprovado.
 
O Vitória até tentou manter o atleta, mas a proposta feita para uma renovação de contrato demorou a ser respondida e a direção rubro-negra fez o que deveria: trabalhou, procurou, e chegou ao nome de Maicon Silva.
 
Pois bem. Já no amistoso contra os chineses, a paciência com o jogador vindo do Criciúma foi pouca. Ainda sem apresentar o mesmo desempenho físico dos companheiros, o novo dono da camisa 2 começou a ser questionado cedo, o que voltou a acontecer na estreia do time no estadual, mesmo com o triunfo por 3 a 0 sobre o Jacuipense.
 
O outro problema está no comando de ataque. Nos dois jogos o time venceu e marcou e oito gols, mas ficou evidente a ausência de um ‘camisa 9’, que prenda os zagueiros e seja significado de perigo constante na área adversdária. A solução encontrada por Mancini foi preparar um time que aposta na velocidade, com as peças ofensivas vindo de trás, evoluindo junto com o meio campo.
 
Ainda que esta seja a formação escolhida pelo comandante rubro-negro para manter durante toda a temporada, no entanto, o elenco precisa ao menos ter a opção de contar com esse centroavante. A direção já avisou que busca esse jogador, mas por enquanto Mancini só conta com o jovem Rafaelson. O veterano Robert, que decepcionou após chegar ao Barradão como artilheiro do Brasil, ainda se recupera de lesão. Outro que poderia assumi a posição é Alípio, que entrou no decorrer dos dois jogos e agradou, mas deve ser utilizado como atacante pelos lados do campo.
 
Os dois ‘defeitos’, na lateral direita e no comando de ataque, são evidentes. Mas a torcida rubro-negra tem motivos para ter paciência e apoiar a equipe que está se formando.
 
As equipes adversárias nos dois primeiros jogos estão longe de servir para avaliar o potencial do time, mas o torcedor do Vitória vai precisar ser mais paciente se não quiser ‘passar raiva’ nestas primeiras apresentações. Outras deficiências ainda serão expostas. O time está em formação, perdeu peças importantes e entrosamento não acontece da noite para o dia e o ataque já mostrou que pode corresponder.
 
Se por um lado a ala direita ainda está sob avaliação, até por que Maicon Silva chegou ao Barradão muito bem recomendado, o setor ofensivo parece estar no caminho certo, no caminho de muitos gols.
 
Já contra a Jacuipense foi possível ver o tridente Maia, Vander e Marinho trabalhar bem coordenado, apertando a saída de bola adversária e o mais importante: goleando.
 
Na defesa titular, Fernando Miguel, Diego Renan, Guilherme Mattis e Ramon também são praticamente unanimidade.
 
No meio, Amaral destruindo as jogadas adversárias e Tiago Real dando início às jogadas de ataque também  estão dentro desse ‘esqueleto’ com condições de ajudar ao longo da temporada.

Em comparação com o início de 2015, quando o clube já estava afundado em uma crise, a expectativa é boa, apesar da ausência na Copa do Nordeste.
 
Em tempo
 
Já que falei sobre a confiança da torcida, preciso citar também o número de torcedores que tem comparecido para ver o Leão, e que chegou a ser criticado pelo vice-presidente do clube, Manoel Matos. A direção do clube precisa se atentar de que os rubro-negros compareceram em números acima das expectativas, pelo menos da imprensa, tanto no amistoso quanto na estreia do Baianão.
 
Contra os chineses, mais de nove mil torcedores foram à Fonte Nova.

Basta voltar ao ano de 2010, quando o Vitória já era dirigido pelo mesmo ‘grupo’ que ainda se encontra no Barradão. Naquela temporada, o rubro-negro convidou o PSV, um clube tradicional da Holanda, para um amistoso no Barradão, mas apenas 3 mil pessoas prestigiaram o confronto.
 
Já contra a Jacuipense, em estreia de Campeonato Baiano o público presente geralmente nem vale a pena de ser citado, mas desta vez foram seis mil presentes. Às vésperas do carnaval e em tempos de crise econômica.
 
As feridas abertas por conta das saídas de de Rhayner e Escudero já parecem ter sido deixadas para trás. Com Arthur Maia a torcida vive a expectativa de ver em serviço e em boa forma uma das maiores promessas das divisões de base do clube. Marinho chegou, jogou e deixou ótima primeira impressão na estreia.
 
O momento é de buscar o apoio e união com a torcida, aproveitar a simpatia daqueles que estão animados com o retorno de Leandro Domingues, por exemplo. Definitivamente esse não é o momento de criticar a parte da torcida que ainda está insatisfeita. A opinião destes não será modificada e nem a confiança será conquistada com palavras, mas com ações, com contratações e medidas que respeitem o passado e busquem um futuro melhor para o Vitória. 

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