Grupo 'Revolução Tricolor' apresenta suas posições e propostas para as eleições do Bahia

por Rafael Machaddo (@RafaelMachaddo6) em 16 de Outubro de 2017 01:00 com 2 Comentários

Seguindo com a série de entrevistas com os grupos políticos que participarão das eleições do Bahia, em dezembro, o Galáticos Online entrevistou a coordenação da "Revolução Tricolor", atualmente grupo de situação no clube.

Caso tenha perdido alguma das nove entrevistas anteriores, basta acessar a aba "Entrevistas" do nosso site, onde todas estão disponíveis.

Confira a entrevista completa:

1 - O seu grupo já definiu quem será o candidato à presidência do clube? Se sim, por que essa escolha? Se não, até quando pretendem definir? Existem nomes?

RESP: Não temos uma definição ainda. Temos como princípio a defesa do projeto de reconstrução do Bahia e no momento entendemos que a manutenção da atual gestão, comandada por Marcelo Sant'Ana e Pedro Henriques, é a melhor opção para o Clube. Estamos aguardamos a definição deles quanto à reeleição ou não e pretendemos ter essa definição até o período de inscrição das chapas.

2 - Quais grupos ou “personalidades” apoiam essa candidatura? Como eles serão importantes numa possível gestão?

RESP: A democracia tricolor foi conquistada com ajuda de muitos heróis anônimos. Contamos não com personalidades mas com cada sócio e torcedor que acredita que um Bahia forte se faz com democracia, participação, profissionalismo e cuidado com a instituição. O mais importante é que os grupos de sócios apoiem uma agenda comum para o Clube, que signifique a continuidade do caminho trilhado até aqui, principalmente a consolidação da democracia tricolor, a profissionalização e a transparência, além da revisão de alguns pontos que podem ser melhorados na próxima gestão. Isto é condição indiscutível para o sucesso do Clube, de modo que sejam discutidos com maturidade e equilíbrio os caminhos que a próxima gestão deverá trilhar para que os objetivos sejam alcançados. Isso não significa, necessariamente, que os grupos pensam de forma igual e caminharão sempre juntos, na mesma direção, mas sim, que nossos ideais, princípios e visões para o Clube sejam semelhantes.

3 - Quais são as principais propostas do seu grupo para um possível mandato para os próximos três anos?

RESP: Antes de termos definido nosso candidato para a eleição de 2014, a Revolução Tricolor, com a contribuição de sócios e torcedores elaborou um plano de gestão, pois sempre entendemos que propostas para o fortalecimento do clube vem antes de nomes ou cargos. Após finalizado, ele foi discutido com Marcelo Sant’ana, que ensejou adequações e ajustes consensuais, se tornando o plano que norteia a atual gestão. Elaboramos também um instrumento de verificação do plano, chamado Farol, no qual acompanhamos o que foi implementado, o que está em andamento e o que, devido às mais variadas circunstâncias, não foi possível fazer. Sempre entendemos que o Clube tem que ser gerido pela Diretoria e todos os profissionais mas nós, como grupo de sócios, temos que cobrar a execução do projeto, fazer sugestões e críticas sempre pensando no crescimento do Clube. Nosso plano de gestão para o triênio 2018-2020 está em fase final de elaboração. Ele também foi aberto para sugestões dos sócios e torcedores, durante o mês de setembro. Pesquisamos também as melhores práticas em clubes do futebol brasileiro e mundial e agora estamos consolidando as sugestões e discutindo os diversos aspectos que permeiam a gestão moderna de um clube de futebol profissional. Nossas principais propostas são: a completa integração do futebol de base e profissional, estamos propondo uma metodologia para a divisão de base do Bahia e um planejamento para a transição dos atletas; continuar o investimento na análise de desempenho (scouting), buscando captar atletas com maior assertividade; continuar o trabalho de interiorização da marca do Bahia, valorizando sempre as embaixadas; ações com a torcida mirim tricolor, como os Acampamentos Esquadrãozinho e as escolinhas Talentos de Aço; ações buscando licenciar mais produtos para as torcedoras do Bahia e participar de campanhas incentivando o respeito com as mulheres no estádio ou fora dele; buscar sempre incentivar a associação – nossa proposta é criar um clube de vantagens no qual o sócio ganhe pontos quando vai ao estádio, quando paga a mensalidade em dia ou compra em lojas parceiras e pode usar estes pontos em lojas conveniadas, trocar por prêmios ou participar de experiências vivenciais no Clube; buscar manter um preço acessível para o plano de sócios com acesso garantido, em especial o super norte, buscando que o torcedor de menor poder aquisitivo também possa ser sócio e frequentar a Arena Fonte Nova; e a nossa proposta principal, e que não abrimos mão, é a responsabilidade financeira: continuar pagando o Profut, o acordo na justiça do trabalho e os demais compromissos do Clube.

4 - Qual o posicionamento do seu grupo sobre Fazendão e Cidade Tricolor?

RESP: No plano de gestão feito em 2014 foi previsto manter a CT como centro de excelência na formação de atletas, bem como para estruturar esportes olímpicos. Toda a divisão de base, exceto o Sub 20, treinaria na CT, enquanto o Sub 20 e os profissionais utilizariam o Fazendão. Todavia, todo planejamento demanda alterações e correções, de acordo com as condições fáticas que se impõem em virtude, por exemplo, do dinamismo do mercado. A Cidade Tricolor é um equipamento que abre um amplo leque de perspectivas para o Bahia, por ser um centro de treinamento planejado, moderno e com capacidade para ampliação. Poucos clubes têm um equipamento desse nível, possivelmente o único no Norte-Nordeste do país. Ela precisa apenas ser reformada e equipada, o que pode ser feito com os bens, equipamentos e mobiliários modernos já existentes no Fazendão, assim como por meio de parcerias ou projetos via lei de incentivo ao esporte, haja vista o Clube agora possuir todas as certidões necessárias. Manter dois centros de treinamento em pleno funcionamento implica em elevados e proibitivos custos fixos de manutenção e não faz sentido possuir os dois e deixá-los subutilizados. Assim, a mudança para a Cidade Tricolor deve ser feita de forma planejada e gradual e, em paralelo, devem ser elaborados estudos de viabilidade de negócios que indiquem qual a melhor destinação para o Fazendão, em face do recente desenvolvimento daquela região e da melhoria no acesso decorrente da propriedade de um terreno adjacente envolvido na negociação, podendo abarcar empreendimentos de variados tipos e até a construção de um estádio, conforme desejo de ampla parcela da nação tricolor.

5 - Como o seu grupo vê a parceria do Bahia com a Arena Fonte Nova?

RESP: A prorrogação do contrato, assinada por esta gestão, permitiu que o Bahia tenha maior participação em relação às receitas variáveis da Arena, como alimentação, bebida, camarotes etc., além de viabilizar também adequações e melhorias no plano de sócios, por meio de promoções e eventos, por exemplo. A parceria entre a Arena e o Bahia vem avançado, o Clube vem sendo mais escutado nas suas demandas, por exemplo. Conseguimos implantar a base operacional e um local específico para atendimento ao sócio nos dias de jogos. Podemos citar também que, após alterações no acesso dos torcedores em decorrência da setorização, a RT identificou que houve dificuldades no acesso ao setor oeste, em especial para idosos e gestantes. A partir dessa constatação, enviamos uma série de sugestões para a diretoria do Clube que avaliou, estudou e indicou algumas medidas para a Arena com o objetivo de eliminar essas dificuldades, sendo tais medidas adotadas de forma exitosa. Entretanto, mesmo com esses avanços, a parceria precisa evoluir mais, o Clube precisa ter mais autonomia na operação no dia de jogo para poder potencializar as receitas de “Match Day”, bem como precisam ocorrer avanços no tratamento ao sócio e ao torcedor em geral.

6 - Como vocês avaliam a atual gestão do clube? Por favor, cite pelo menos um ponto que você julga positivo e um negativo da atual gestão do Bahia.

RESP: Para nós, a gestão tem acontecido de forma bastante positiva e com inúmeros avanços em todas as áreas. Profissionalizamos a direção do Clube. Ampliamos a transparência com a publicação periódica de documentos administrativos, financeiros e contábeis, além de instituir o balancete trimestral, com uma linguagem mais próxima do torcedor e menos técnica do que o rigor das normas impõe. Estabelecemos novas bases no contrato com a Arena, de forma a melhorar o serviço prestado ao torcedor. Aderimos ao Profut e mantivemos o acordão na Justiça do Trabalho, de modo a evitar execuções e bloqueios por débitos fiscais ou trabalhistas. Além disso, estamos estabelecendo bases de governança que ajudarão a proteger o Clube, futuramente, de eventuais ações de dirigentes com posturas inadequadas, o que se reflete, por exemplo, na prestação de contas com opinativo de auditoria externa independente ou na criação da ouvidoria para o sócio e o torcedor. A gestão conseguiu aumentar as receitas, captando muitos patrocinadores e já conseguimos a posse e estamos próximos a conquistar a propriedade da Cidade Tricolor e recuperar a propriedade do Fazendão. Agora, precisamos avançar em algumas questões, tivemos um aumento do quadro social que significa um aporte mensal maior do que o patrocínio master, porém, ainda aquém do que tivemos como meta e do que acreditamos que temos como potencial. Quanto ao futebol, apesar de não termos conseguido logo no primeiro ano, alcançamos o acesso à Série A, vencemos um campeonato baiano, chegamos a uma semifinal e duas finais da Copa do Nordeste, sendo novamente campeões, o que não acontecia desde 2002; a implementação do rodízio de atletas no primeiro semestre deste ano deu muito certo, mas não fizemos boa campanha na Copa do Brasil; precisamos aumentar a assertividade nas contratações e reforçar o trabalho na divisão de base, buscando revelar mais atletas. O Bahia é um clube que tem como meta alcançar títulos, porém, apesar de boas campanhas realizadas, não conseguimos todos os que queríamos.

7 - E sobre os atuais grupos de oposição, como os avaliam? Da mesma forma, por favor, se possível, cite um aspecto positivo e um negativo dos grupos que atualmente fazem oposição aos gestores.

RESP: Durante muitos anos estivemos na oposição, lutamos por um Bahia democrático, plural, transparente, em que os torcedores e sócios tivessem voz e pudessem participar ativamente. Sabemos como é ser oposição em um ambiente antidemocrático, em que aqueles que se aventuravam a fazer perguntas em assembleias eram intimidados por diretores e guarda-costas. Atualmente, temos alguns grupos que apoiam a gestão, outros que são contra e alguns que não têm posicionamento definido. Entendemos que a oposição tem que ser exercitada de forma séria, responsável, respeitosa, com o debate de ideias. A oposição não pode ter caráter pessoal ou geral, contra tudo o que a gestão queira fazer. A existência de grupos independentes ou de oposição é importante e salutar, então, de forma geral, consideramos que está havendo um amadurecimento dos sócios e da torcida de maneira geral, para perceberem que a gestão profissional do futebol moderno não se resume apenas aos onze jogadores que entram em campo, um treinador, auxiliares e reservas. Por outro lado, o aspecto negativo é que algumas pessoas ou grupos ainda não amadureceram e promovem ataques pessoais ou se limitam a fazer a oposição pela oposição, sem qualquer atitude propositiva ou o debate de ideias.

8 - Qual o posicionamento do seu grupo sobre o voto à distância?

RESP: A Revolução Tricolor sempre defendeu o voto à distância (voto online), sendo inclusive uma proposta do nosso Plano de Gestão elaborado em 2014. Entendemos que o voto à distância amplia a democracia, pois possibilita a ampla participação do sócio estando em qualquer lugar do mundo e é mais um incentivo para o torcedor que mora fora da região Metropolitana de Salvador se associar ao Bahia. Apesar do atual estatuto não proibir, a diretoria, em mais uma demonstração de transparência e democracia, achou por bem consultar a opinião dos sócios sobre essa questão, e assim foi feito. Na assembleia geral do dia 28/06/2015, quase 92% dos sócios votantes autorizaram a realização da votação online. A partir daí, conforme dispõe o estatuto, o Conselho Deliberativo ficou incumbido de elaborar sua regulamentação. No dia 25/05/2016, a Revolução Tricolor protocolizou no Conselho uma proposta de regulamentação da votação online e, em 08/10/2016, foi criada uma comissão no CD com este objetivo. No dia 11/03/2017, o Conselho aprovou a inclusão do voto online na proposta de novo estatuto do Clube. Nesta proposta, no artigo 13, consta que as assembleias terão voto online. Conforme se verifica na ata de reunião dessa data, dois conselheiros da RT registraram que “...a Revolução Tricolor sempre foi a favor do voto online, pois o Voto Online amplia a democracia permitindo que o sócio estando em qualquer lugar do mundo participe das assembleias...”, e que o voto online “...seria um item importante para ele, que é oriundo do interior do estado e que sempre participou das embaixadas, entendendo a importância da participação dos sócios que não moram em Salvador, favorecendo a integração do sócio que não mora em Salvador. Concluiu salientando a importância da efetividade deste dispositivo, para que tenhamos cuidado para que ninguém crie embaraços para a aplicação deste instrumento”. No dia 23/08/2017, solicitamos que este assunto entrasse em pauta e protocolamos no CD um requerimento para que o regulamento fosse encaminhado a votação, de forma que pudesse ser viabilizado ainda para a eleição deste ano. Contudo, no dia 29 de setembro, nossa proposta de regulamentar o voto online, para que ele ocorresse já nas eleições de dezembro deste ano, não foi aprovada pelo Conselho Deliberativo.