Um rodízio mal encaixado

por Tarso Duarte (@tarsoduarte) em 13 de Maro de 2017 16:07 com 0 Comentário

Com o fim anunciado após a goleada sobre o Moto Club pela Copa do Nordeste, o rodízio implantado por Guto Ferreira no Bahia neste início de 2017 não vai deixar saudades. A idéia, que não foi inventada por ‘Gordiola’, vai deixar benefícios, mas nada vai mudar o fato de que o Bahia está fora da Copa do Brasil, eliminado pelo frágil Paraná. A lembrança de que Juninho ficou no banco de reservas para Renê Júnior jogar em Curitiba vai fiar viva pelo resto do ano.

O número grande de opções válidas, principalmente no meio-campo, levou o comandante tricolor a apostar em um sistema que em geral não agrada a medalhões, ditos titulares absolutos, mas que no mínimo vai deixar mais atletas em condições ao menos próximas do ideal. Caso de Renato Cajá, que foi peça importante na campanha de acesso na última Série B, mas retornou das férias com uma condição física longe do necessário para atuar em alto nível.

Mais importante do que ter um número grande de atletas prontos, no entanto, é que o Bahia faça o papel de time grande em uma competição como a Copa do Brasil.

Primeiro que para que um rodízio possa ser implantado, é preciso já ter um time pronto, o que não era o caso do Bahia. Na cabeça de Guto, era a sequência do trabalho, portanto uma base já estava pronta, mas o planejamento foi equivocado.

Por conta de um rodízio é de se esperar altos e baixos de uma equipe que a todo momento ainda busca entrosamento, mas em algumas situações específicas a força máxima precisa ser utilizada, tais como um clássico contra o arquirrival Vitória, por exemplo, ou ainda uma partida de Copa do Brasil em que um jogo pode significar uma perda financeira irreparável...

Outros grandes já haviam caído diante de pequenos na mesma fase esse ano. Os exemplos estavam aí, mas ainda assim a defesa tinha Lucas Fonseca, e não o jovem Éder.

Em uma competição eliminatória, daquelas que a torcida do Bahia mais gosta, quanto não poderia ser arrecadado com uma grande decisão na Fonte Nova, diante de outro grande na Copa do Brasil.

O que o Bahia fez com a Copa do Brasil em 2017 foi um desrespeito. A competição mais importante que o clube disputa na temporada, onde tem chances reais de mirar um título por conta da força incrível que tem ao lado da torcida, foi jogada no lixo.

Ao menos o vexame de ser eliminado pelo Paraná parece ter despertado a comissão técnica tricolor. Mais do que jogadores que saibam que devem fazer, o Bahia precisa de uma organização tática mais bem definida  se não quiser ver times com menos capacidade técnica levando a melhor, por conta de uma falta de atenção a detalhes importantes que foram ignorados nos primeiros meses de 2017.