Problema do Vitória não era só treinador

por Tarso Duarte (@tarsoduarte) em 04 de Maio de 2017 16:13 com 1 Comentário

Argel demorou para ser desligado. Teve tempo de sobra para trabalhar e não deu padrão tático algum a um time que disputou três competições diferentes nestes quatro primeiro meses de 2017. Em qualquer dos jogos do rubro-negro no ano, a palavra desorganização foi utilizada pelo menos uma vez para se referir a momentos da equipe nos confrontos, por aqueles que transmitiam os duelos válidos por Nordestão, Baianão e Copa do Brasil, fosse o rádio, televisão ou internet a forma de acompanhar as partidas escolhidas pelos adeptos.

Na Fonte Nova, mais uma vez, o Vitória foi engolido justamente pela maior organização do arquirrival. No primeiro tempo o time de Argel ainda estava em campo, a idéia de jogo implantada pelo gaúcho não vai mudar de um jogo para o outro, pode ser um processo lento.

O Vitória tem medo da bola, se livra daquele que deveria ser seu objeto de desejo. Ao menos tinha medo e se livrava da bola. Wesley Carvalho iniciou a partida em respeito ao trabalho anterior, mas ainda assim conseguiu ajustar o time a ponto da equipe reagir e empatar o clássico.

Mais importante do que a corrida pelo título é a moral que o gol de empate trouxe aos rubro-negros. A derrota na Copa do Nordeste, quando o time de Argel sequer reagiu, já ameaçava fortemente o restante da temporada.

Outras equipes já tiveram sucesso sem a bola. Mas com o elenco que o Vitória formou, ficou provado que a forma de jogar do time pode e deve ser modificada, como aconteceu no segundo tempo do clássico. 

Em um elenco que tem jogadores como Dátolo, Cleiton Xavier e Pisculichi, a única jogada utilizada era com chutões do goleiro, desde o início do ano. A evolução vai ser mínima para a decisão do estadual, mas se o treinador, que até então é interino, conseguiu uma reação do elenco que resultou em resultado importante, a expectativa passa a ser positiva.

De novo, o favoritismo conseguido para a decisão do Baianão não pode apagar o fato de que o time, apesar dos resultados e números que acumula em 2017, acumulou atuações nada menos que vergonhosas, por se tratarem de adversários que estão longe de ter um nível comparável ao da Série A do Campeonato Brasileiro.

Sem ter evoluído o que deveria como equipe, para chegar a uma disputa de elite do futebol nacional, o Vitória pode voltar a ser presa fácil no Brasileirão.

O tempo para resolver alguns problemas sérios é pouco. A efetividade que falta em todos os setores do time em campo terá que acompanhar evoluir, assim como as decisões da atual direção. Seja vendo as apostas que já foram feitas conseguindo dar uma resposta, o que a essa altura da temporada seria uma surpresa, ou ainda indo ao mercado buscar novos reforços.