Herança maldita: veja os sete erros do Vitória que tornaram 2017 uma temporada de vexames

por Tarso Duarte em 01 de Novembro de 2017 16:37 com 0 Comentário

Atualmente dentro da zona de rebaixamento e contando com a confiança de poucos, mesmo quando o assunto é sua própria torcida, o Vitória tem, nas suas posições de comando, uma tarefa complicada por conta da ‘herança maldita’ com que precisa trabalhar. Eleitos pelo sócios do clube, Ivã de Almeida e Sinval Vieira comprometeram não apenas a temporada de 2017 com as péssimas decisões tomadas à frente do clube, que apesar de ter iniciado o ano com saldo positivo na casa dos R$ 40 milhões acumula vexames na elite do Brasileirão.

Após receberem o clube em situação saudável das mãos de Raimundo Viana, em que pese este tendo idade mais avançada que Almeida e Vieira, os dois se mostraram menos atualizados que ‘Vovô Mundico’, quando chegou o momento de estar à frente do rubro-negro.

O resultado é que, em mais uma Série A com baixo nível técnico, o Vitória ainda tem chances de permanecer apenas por conta da incompetência de seus adversários na briga para não cair. O clube pode se livrar apesar dos erros cometidos por Ivã e Sinval, mas terá que lidar com problemas financeiros já em 2018, já que os altos investimentos em atletas, supostamente deveriam dar retorno por mais de uma temporada, mas se mostraram ineficazes desde que estes começaram a atuar.  

Na lista abaixo o Galáticos Online enumera sete dos principais erros que justificam o péssimo momento vivido pelo time na disputa do Brasileirão.

1 - Manutenção prolongada de Argel

Apesar da grande semelhança  no quesito tático (ou falta dele),com os trabalhos conduzidos pelo ultrapassado Dunga, a continuidade de Argel Fucks à frente do time após salvar o Leão do rebaixamento foi justa, apesar de não haver algo como justiça neste esporte. Digo isso porque teria feito o mesmo se fosse diretor naquele momento. A esperança era de que ele preparasse uma defesa forte, com uma equipe ‘de pegada’, ao estilo gaúcho, tendo oportunidade de iniciar uma temporada.

Em poucas apresentações, a limitação tática do Vitória já era notória, com uma equipe que batia adversários pequenos mas sem mostrar evolução alguma. O título estadual, em uma competição onde tem apenas um oponente, veio apenas porque Wesley Carvalho assumiu, mas o estrago no primeiro semestre já estava feito. O time só conseguiu verdadeiramente mudar a forma de jogar com a chegada de Mancini, no segundo semestre . Na Copa do Nordeste, que sem dúvidas é mais importante que o baianinho, deu Bahia na semifinal.

2 - Contratação de dois zagueiros ‘titulares’ sem qualidade

A temporada mal tinha começado, mas o critério nas contratações já era questionável. Talvez com influência de Argel, Fred e Alan Costa chegaram para fazer a dupla de zaga titular na temporada, credenciados por terem atuado nos grandes do Rio Grande do Sul. Torcida e imprensa se dividiram, quem gostava de um não gostava do outro.

Enquanto Alan Costa fazia o tipo ‘xerife’, mas cometia erros e não transmitia confiança, Fred assustava e continua assustando com a falta de velocidade e combatividade. Apesar da qualidade na bola parada, a mudança para melhor de todo o sistema defensivo foi evidente quando os dois finalmente pararam de ser utilizados. Não fosse a chegada de Wallace, o Vitória teria hoje pontuação semelhante à do lanterna Atlético-GO.

3 - Contratação de Petkovic

Aproveitando a calmaria provocada pela ilusão chamada título baiano Ivã de Almeida e Sinval aproveitaram para fazer uma contratação que, segundo eles, já estava agendada antes mesmo da eleição no ano anterior. Ídolo na década de 90, Petkovic chegou para comandar o futebol no Barradão tendo só e apenas este predicado. Já havia fracassado como treinador e como diretor não tinha nem de longe a experiência para comandar um grande clube. Na Toca do Leão, logo despertou a antipatia do elenco profissional, fato que não impediu a direção de fazê-lo acumular a função de técnico, onde (lembra?) o sérvio já tinha provado não ter competência necessária para assumir um time de Série A.

É possível destacar algumas contratações feitas na gestão de Pet que se mostraram acertadas na reação comandada por Mancini, como a de Tréllez, o que não muda o fato da passagem como dirigente ter sido desastrosa.

A idolatria do passado havia sido praticamente desfeita, já que o sérvio preferiu atuar até no Goiás antes de encerrar a carreira como jogador, mas não voltou ao clube que tornou possível o imenso sucesso feito no Brasil. Por todos esses fatores, dificilmente Pet voltará a exercer qualquer função no Barradão.

4 - Abandonar o barco com clube em crise

De todas as decepções proporcionadas pelo Vitória em 2017, a maior delas provavelmente atende pelo nome de Sinval Vieira. Um dos pilares quando o assunto era popularidade dentre os adeptos, Sinval enfim aceitou o desafio de voltar ao clube depois de prestar grandes serviços na recuperação e reestruturação do Leão, que estava destruído na Série C em 2006.

O escolhido para a parceria, Ivã de Almeida, embora também com serviços prestados no passado, mostrou uma falta de capacidade para administrar jamais vista no Barradão, levando até seu vice-presidente a fazer duras críticas abertamente.

Com o Vitória à deriva, a pressão recaiu sobre Sinval, que se viu responsabilizado por tudo e por todos, decidindo assim ‘abandonar o barco’. Deixou, no entanto, o clube que diz amar sendo guiado pelo maior culpado da crise instalada.

5 - Contratação de Gallo

Como já era esperado por toda a imprensa baiana, Petkovic fracassou como treinador. A solução para os problemas? Alexandre Gallo. Amigo de Pet, que foi seu jogador no Atlético Mineiro, ele chegou ao Barradão depois de nada menos que dois anos parado. Estava sem treinar desde que foi demitido da seleção brasileira que disputaria as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Ficou pouco mais de um mês e não conseguiu dar padrão tático ao time, que seguiu praticando o mesmo futebol ultrapassado dos tempos de Argel.

Quando assumiu a presidência, Agenor Gordilho não perdeu tempo e demitiu o profissional. Apesar do trabalho abaixo do esperado, parece ter sido o único a perceber que um time com Neílton sendo titular absoluto estava fadado ao fracasso, algo que nem Mancini conseguiu entender, mas falaremos sobre isso mais tarde na lista.

6 - Falta de critério para contratar um camisa 10

Piscuilichi, Dátolo e Cleiton Xavier. Anunciados como candidatos a maestro do time, os dois argentinos e o veterano brasileiro não demoraram a decepcionar. Ter Argel no comando do time não ajudou e as conseqüências no setor de criação são sentidas até hoje, onde a maior aposta é Yago, que tem mais característica de volante do que de armado/criador.

7 - Apostar na compra de Neílton

Mais importante que um maestro, o Vitória precisava de um substituto para Marinho. Mas o que parecia uma tarefa fácil até por conta do dinheiro recebido pelo herói de 2016, se tornou um pesadelo. O escolhido para investir dinheiro e esperanças foi Neílton, que surgiu como o ‘próximo Neymar’ no Santo. Estava encostado no São Paulo, onde não tinha a confiança do então treinador Rogério Ceni, que havia dado uma última chance ao atacante em partida que o tricolor foi eliminado de forma vexatória pelo modesto Defensa y Justicia na Copa Sulamericana.

Habilidoso, era a esperança do Vitória para dar velocidade e qualidade aos contra-ataques, mas o individualismo o transforma em um jogador sem efetividade alguma, com alguns poucos lampejos, que acabam sendo ofuscados pelas seguidas más atuações. Não fossem as investidas de David, não haveria rapidez no ataque do Vitória.

A serviço do Leão o jogador que custou mais de R$ 2 milhões aos cofres do clube também não conseguiu convencer Gallo. No entanto, conta com a confiança de Mancini apesar de não ajudar o time no momento defensivo e ser um dos símbolos do jejum rubro-negro quando o assunto é vencer no Barradão.

Questionado pela imprensa sobre a insistência em manter Neílton no time, o comandante rubro-negro avisou que vai continuar utilizando o atleta apesar das vaias que já acompanham o jogador nas arquibancadas do Barradão.